sábado, 9 de fevereiro de 2008

CLARA NUNES - GUERREIRA DA UTOPIA

RESENHA
Ernani Xavier

MÁGICA CLARIDADE

Vagner Fernandes compôs uma obra biográfica “Clara Nunes, guerreira da utopia”, celebrando os vinte anos da morte da cantora. Tragédias marcaram a infância de Clara Francisca Gonçalves Nunes. Perdeu os pais aos seis anos de idade. O seu irmão mais velho que a adotara foi envolvido em crime que tem conecções com ela. Matou um jovem que a teria difamado. Mudou-se do interior para Belo Horizonte, onde sofreu dificuldades e privações durante grande parte da sua adolescência. Tentou a sorte como artista e se deu bem, assumindo o nome de Clara Nunes. Logo começou a conquistar grande popularidade e projeção em âmbito nacional. A narrativa caracteriza-se pela objetividade jornalística e a fidelidade aos fatos ocorridos na vida da cantora. Pessoas que a acompanharam na caminhada de glórias na carreira foram procuradas para dar os seus depoimentos. Este foi o caso do seu primeiro namorado, Aurino Araújo, quem influenciara a mudança de Clara para o Rio. Teve de enfrentar e vencer muitos dilemas e as naturais inseguranças da mudança. Começou a escalada de sucessos com uma composição de Carlos Imperial, "Você passa, eu acho graça". Testemunho na época a acirrada competição entre a Bossa Nova, Tropicália (Caetano e Gil) e a Jovem Guarda, ficando relegada a um plano secundário. Clara queria ter filhos, constituir uma família e havia encontrado em Paulo César, produtor de alguns dos seus discos, com quem casara, o parceiro ideal para isso. O historiador afirma que, “ Clara manteve ao redor de si ao longo da carreira um círculo de compositores fiéis como alguns bambas da Velha Guarda da Portela, Nelson Cavaquinho, a dupla Romildo e Toninho, Mauro Duarte, João Nogueira, assim como sempre foi acompanhada em suas apresentações ao vivo pelos músicos do Conjunto Nosso Samba, desde sua adesão ao gênero até os últimos shows”. O Convívio co Chico Buarque, Paulinho da Viola lhe foi muito favorável também. Apareceram dois sucessos: "Na linha do mar" e "Coração Leviano". A cantora morreu em decorrência de complicações pós-operatórias que resultaram em polêmica e controvérsias. Hoje, se viva, seria membro ativo da geração da música popular na facha dos sessenta: como outros monstros como Chico, Gil, Milton, Caetano, Ben e Paulinho da Viola. Morreu no auge da brilhante carreira. Tinha lançado meses antes, o álbum revolucionário, Nações. Clara passou, sem que ninguém, dessa vez tenha achado tanta graça. Passou e marcou. Marcou bem no fundo a sua personalidade e o seu nome na sua biografia e nas nossas. Marcou uma época inteira. Fez da sua presença e mágico poder vocal, uma arma de guerra. O seu timbre transmitia verdade. Exerceu, com certeza, a par da inesquecível irmã, Elis Regina, influência espiritual sobre a nova geração de mulheres e lhes deu inspiração par o seu canto. Clara foi mulher bem adiantada do seu tempo. Foi determinada, corajosa e carismática. O livro mostra uma mulher vencedora, espiritualista, fiel ás suas raízes e ao seu povo. Estrela meteórica. Modelo de espírito de luta e de auto-superação, de fé em si mesma e em Deus do céu.

Tags: espiritualidade, autosuperação, fatalidade
Vagner Fernandes. “Clara Nunes - Guerreira da Utopia”. Rio: Ediouro, 2007.
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ANOREXIA E BULIMIA

RESENHA
Ernani Xavier
A TIRANIA DAS DIETAS


O livro “Anorexia e Bulimia” da escritora americana, Julia Buckroyd, Julia trata duas endemias consideradas hoje como a “doenças dos jovens”. O livro traz informações atualizadas sobre o assunto, que ainda é pouco conhecido e que atinge uma enorme camada de jovens entre 15 e 25 anos de idade. A autora esclarece como a sociedade e a cultura colaboram com a criação dessas doenças, descreve os sintomas, as conseqüências e também como ajudar no âmbito familiar e profissional. Seu texto é didático, bem organizado e os temas bem distribuídos. A primeira parte define os conceitos. A segunda parte trata das causas e trata de como enfrentar a vida e as pressões culturais e sociais. A terceira parte orienta sobre como obter ajuda tanto pelas estratégias de autoajuda como a procura da ajuda profissional. A autora esclarece que, “Este livro foi escrito originalmente como um guia para pessoas que sofrem de anorexia e para os seus familiares e amigos. Também pode ser útil para dar uma visão geral sobre o problema a alguns profissionais da saúde” Descreve o comportamento de uma pessoa anoríxica e de uma pessoa bulímica e dos efeitos psicológicos e físicos gerados. “Ao longo desses anos que venho trabalhando com pessoas que sofrem de transtornos alimentares, encontrei freqüentemente desespero tanto das vítimas como das suas famílias, gerado pela dúvida quanto á possibilidade de conseguir ajuda e se é possível se curar de anorexia e bulimia”. Por isso, o livro pode contribuir para o entendimento e a recuperação que ajude as vítimas e aqueles que as amam embarcarem juntos num processo de mudança e crescimento... A anorexia e a bulimia nervosa foram consideradas até alguns anos atrás como doenças incomuns e raras. Porém, tiveram a sua ocorrência assustadoramente aumentada recentemente. O fascínio é o corpo ideal. Há uma imensa pressão social para consegui-lo. Corpo sarado, esbelto e magro é associado ao sucesso e ao poder. Em especial adolescentes são seduzidos pelo ideal da forma perfeita já que é somente assim que serão bem-sucedidas e atribuem ao alimento a chance de realizar a sua intuição. Ocorre que estes moços vivem em um universo movido por interesses que têm o poder incontestável de manipula-los através de uma tremenda "violência simbólica". Neste contexto, as doenças são cada vez mais avassaladoras enquanto a indústria farmacêutica se torna cada vez mais poderosa. Amparada por outro segmento econômico altamente influente e poderoso, a grande mídia conduz a barbárie dentro das nossas casas. Só é bom ser magro, cada vez mais magro. As conseqüências diretas são os transtornos do comportamento alimentar, em suas diferentes modalidades – anorexia, bulimia e outros transtornos alimentares não específicos. Efetivamente, os quadros de anorexia (restritiva e/ou purgativa) e bulimia (purgativa e/ou sem purgação) relacionam-se entre si por produzirem psicopatologias comuns: idéia obsessiva para com o peso e a forma corporal, expressa pelo medo mórbido de engordar. Aí que a baixa auto-estima e a insatisfação com a imagem corporal são fatores de risco para tais transtornos alimentares. Pessoas negam as suas necessidades básicas, dedicam-se a dietas restritivas, jejuns prolongados e hábitos duvidosos de alimentar-se. A autora Julia Buckroyd deixa um recado, portanto, didático, agradável para ler, elucidativo. De elevada utilidade para jovens, pais e profissionais da saúde.
Julia Buckroyd. Anorexia e bulimia. Coleção Guias Agora,, 2000, 144 páginas.
Tags: nutrição, conduta na alimentação, transtornos do comportamento alimentar
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A DOENÇA COMO METÁFORA

RESENHA
Ernani Xavier
MANIPULAÇÃO CULTURAL DA DOENÇA


No magnífico ensaio “A doença como metáfora”, Susan Sontag mostra como as representações sobre duas importantes patologias das sociedades modernas, o câncer e a tuberculose que são produzidas através da literatura ficcional, dos discursos médicos, psiquiátricos e militares que acabam criando e reforçando falsas crenças sobre os processos de adoecimento, associando a eles, sobretudo, um processo fatal de desenlace, de “preparação” para a morte. Este livro originalmente foi a base textual para conferências que a autora proferiu na Universidade de Nova Iorque. O seu texto não se refere à doença em si, mas, à doença usada como um símbolo ou metáfora, uma tentativa de entende-la e de explica-la a partir de conceitos subjetivos aculturados pelo inconsciente social coletivo. Para a ensaísta, doença nenhuma é uma metáfora, seria desonesto lhe atribuir significados metafóricos. “Há poucas décadas, quando o conhecimento de que se estava com tuberculose equivalia a ouvir uma sentença de morte – como hoje a imaginação popular, o câncer equivale a morte -, era comum esconder dos tuberculosos a identidade da doença e, depois que eles morriam, ocultá-la de seus filhos”. De acordo com Susan Sontag, "Apoiando a teoria sobre as causas emocionais do câncer há uma florescente literatura e um exército de pesquisadores. E raramente se passa uma semana sem que apareça um novo artigo anunciando ao público a ligação científica entre o câncer e os sentimentos dolorosos. São mencionadas as investigações científicas em que, entre, digamos, algumas centenas de cancerosos, dois terços ou três quintos declaram ter estado deprimidos ou insatisfeitos com suas vidas, ter sofrido perda de um parente, amante, cônjuge ou amigo íntimo". Para a autora, a doença tem de ser vista exclusivamente como fato biológico, não como destino ou expiação de alguma culpa. Lamenta que a medicina, em suas relações com a sociedade, interpreta a, muitas vezes, a doença, como uma punição. Isto vem de longe, argumenta, quando o pregador e escritor puritano Cotton Mather dizia que a sífilis era um castigo que o juízo justo de Deus reservava aos pecadores. No seu livro analisa a tuberculose, vista por muitos como metáfora da paixão, e o câncer, analisada como resultado da repressão da sociedade contemporânea sobre o ser humano. Estuda como elas são vistas pela sociedade como se fossem doenças provocadas pelo próprio indivíduo, como uma forma, respectivamente, de purgar pecados ou de reagir perante situações adversas. Reduzir a doença a metáfora gera preconceitos, portanto. A doença precisa ser vista não mais do que um evento físico, pois, só assim a pessoa deixaria de se sentir responsável pelo mal que carrega, despertando em si mesma alguns sentimentos de auto-rejeição e de punição. Susan Sontag escreveu sobre um tema que conhecia bem. Conhecia o mundo das doenças como poucos. Da própria luta contra o câncer, elaborou uma crítica ao pensamento coletivo sobre as doenças como um mal social ou como a interpretação de uma punição ao ser humano. Muitas são as pesquisas e os artigos sobre as influências da felicidade sobre o sistema imunológico, assim como os que comparam a depressão e os estados melancólicos aos estados de deficiências das defesas orgânicas. Conclui vaticinando que, “certamente, é provável que a linguagem usada sobre o câncer evolua nos anos vindouros”. Decisivamente, deverá mudar quando a doença for finalmente compreendida e a proporção de curas se tornar mais elevadas. Contudo, nessa época talvez ninguém mais irá comparar o câncer como algo terrível ou como um castigo.
Susan Sontag. A Doença Como Metáfora. Rio: Graal, 2004.110 páginas.
tags: mistificação da doença, honestidade na medicina, autoconsciência
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PAI RICO, PAI POBRE

RESENHA
Ernani Xavier
PATERNIDADE CÚMPLICE

Robert T. Kiyosaki e Sharnon L. Lechter ao escreverem “Pai Rico, Pai Pobre”, não imaginavam o sucesso que o livro faria, no mundo todo. Para defini-lo seria suficiente dizer que se trata de um livro de aconselhamentos sobre a gestão do dinheiro, de como tomar determinados cuidados para com investimentos, proteger o capital e construir bases para investimentos inteligentes. Os pais ricos e os pobres dos autores possuem valores muito diferentes quanto á administração do dinheiro e os transmitem aos seus filhos. Os mais pobres estão ainda na era industrial, era do trabalho duro, era da dependência do capital de terceiros. Os mais ricos vivem nos padrões inspirados na era da informação. Ambos têm atitudes radicalmente diferentes diante do fator prosperidade. As recomendações dos autores cobrem com muita lucidez os temas, Independência Econômica e Alfabetização Financeira. No seu livro ambos os autores fazem o papel de pais ricos: compartilham percepções e insights sobre como na prática cotidiana uma atuação mais inteligente sobre o dinheiro pode repercutir na solução de muitos problemas comuns da vida de cada um. Sem uma revisão radical dos conceitos a tendência é seguirmos as fórmulas existentes: trabalhar com afinco, poupar, fazer empréstimos e pagar muitos e muitos impostos. Deve-se chegar ao ponto de se escolher o destino do dinheiro que se recebe. “A escolha é de cada um. A cada dia, a cada nota, decidimos ser rico, pobre ou classe média. Dividir este conhecimento com os filhos é a melhor maneira de prepará-los para o mundo que os aguarda”. Ninguém, para tal fim, substitui o pai. Os autores esclarecem que “É hora das pessoas se ocuparem com seus próprios negócios. Um emprego significa que você está sendo pago para se ocupar com o negócio dos outros”. Atualmente e para o futuro, estamos na era da informação. As regras são outras. A maioria das grandes empresas está dizendo: "Nós não vamos mais pagar sua aposentadoria. Você tem que pagar". Fala igualmente do sistema escolar, alertando que este ainda está na era industrial, o qual mostra que se quiserem segurança as pessoas têm de correr atrás de emprego, porém, adverte: “as pessoas têm que parar de trabalhar por dinheiro e começar a fazer o dinheiro trabalhar por elas”. Denunciam: “as empresas tradicionais são as verdadeiras pirâmides”. Sugerem o Marketing Multinível como o modelo alternativo mais conveniente. A recomendação é clara: “Deixe de ser empregado. Quando isto acontece, você começa a se beneficiar das taxas diferenciadas. Você deixa de viver com um pobre ou classe média e começa a viver como os prósperos vivem. Os empregados trabalham e tem as taxas deduzidas de seu rendimento bruto e aí pagam suas contas e depois tentam investir o que foi deixado para trás o que geralmente é nada”. Alertam que leva tempo para as pessoas aprenderem a operar diferentemente, pois, “a maioria das pessoas foi treinada para pensar como trabalhadores medievais, trabalham muito, pagam uma grande quantidade de dinheiro para o lorde (o governo) e vivem com o resto”. A chave da questão: Primeiro você tem que ser uma pessoa rica. Planeje ser rico. Em essência, precisa-se de mudar o foco. Seguir o modelo de um “pai”, conselheiro, modelo que seja voltado para multiplicar rendimentos e não dividi-los. Este é o retrato do nosso pai pobre. Doa ao governo, ao empregador, a todos, enfim a maior parte do que consegue miseramente ganhar.
Robert T. Kiyosaki, Sharnon L. Lechter. Pai Rico, Pai Pobre. São Paulo: Campus, 2007.
TAGS: gestão da renda pessoal, investimento, independência financeira
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DECIFRANDO O CÓDIGO DA VINCI

RESENHA
Ernani Xavier

UM CÓDIGO INDECIFRADO


Este livro, “Decifrando O Código Da Vinvi”, é um dentre os diversos que foram escritos em resposta ao famoso best-seller “O Código Da Vinci”, escrito pelo professor norte-americano Dan Brown. Ele considera a Igreja Católica o fruto de uma farsa. Na versão de Brown, Jesus Cristo seria um homem como qualquer. Casou. Teve filhos com Maria Madalena. A verdadeira liderança da cristandade teria inicialmente sido exercida por esta mulher. Neste texto do professor Brown, dois protagonistas seguem pistas que os conduzem a uma das “maiores conspirações da história”. Cristo seria, portanto, uma invenção romana. Todos os evangelhos seriam 84 evangelhos, mas foram publicados apenas quatro deles, aqueles que mais condiriam com os ideais dos inventores do catolicismo. Da Vinci seria um herdeiro da milícia dos templários, detentor de segredos chaves da organização católica e teria revelado alguns deles. Uma das pistas é o quadro que ele produziu, “A Santa Ceia” da qual a Virgem Maria teria participado e deveria estar na tela. Tudo o que o Código Da Vinvi revela gerou enorme polêmica nos meios literários. Um dos livros que reagiu ás revelações de Brown é o de Simon Cox, “Decifrando o Código Da Vinvi”. Neste livro o autor contesta nomes dos personagens, os locais citados na trama e analisa as obras do pintor Da Vinci citadas. Cox mostra que não seria possível a Igreja “esconder algo de nós durante dois milênios”. Ao denunciar o romance como “um embuste e um crime atroz contra as pessoas tementes a Deus". Simon Cox sustenta que "muitas pessoas sentem-se insatisfeitas com a forma como foram ensinadas a pensar e a acreditar, e um desejo de saírem da concha e de aprofundarem os mistérios da vida está a ganhar ímpeto, enquanto nos fixamos no século XXI". E conclui: "Este é o nervo à flor da pele sobre o qual saltou 'O Código da Vinci'". O livro do teólogo Simon Cox contesta, igualmente com documentos considerados válidos, as assertivas do professor Dan Brown. E a briga parece ir longe. A trama envolvente de mistério, um engenhoso apanhado de enigmas esotéricos e teorias conspiratórias sobre temas considerados relevantes como, a Ordem dos Templários e a natureza do Santo Graal ainda vão render muita literatura. Entretanto é bom que se tire o melhor proveito desta discussão: conhecer melhor a sua personagem central, Leonardo da Vinci. Leonardo da Vinci (1452-1519). Por certo não foi à toa que Brown resolveu mencionar, já no título de seu romance, o criador renascentista. Leonardo causou assombro em seu tempo e continua a fazê-lo hoje. Há mais de um milhão de páginas na internet dedicadas a esse personagem. A livraria virtual Amazon tem 9.900 livros sobre Da Vinci. Sua versatilidade era espantosa. Leonardo foi engenheiro, escritor, cientista, músico, arquiteto, escultor. Foi o melhor de seu tempo em quase todos esses campos. Foi o melhor de todos, por todos os tempos, na pintura. Há mais de 500 anos, em 1504, Leonardo podia ser encontrado diante de um cavalete dando vida ao quadro mais famoso da história, a Mona Lisa. Costuma-se dizer que ele foi um homem à frente de sua época. A se fiar em um ditado que atravessou eras, segundo o qual "o que é feito com tempo, o tempo respeita", pode-se afirmar que Leonardo da Vinci, pela eternidade de suas obras, foi também senhor do tempo. É a sensação que se tem quando se lembra que Da Vinci descobriu o princípio do automóvel, do submarino, do helicóptero, das eclusas, dos tanques de guerra, dos pára-quedas... Ele fez mais do que protótipos. Mostrou o princípio das coisas. Esta é uma dimensão importante da polêmica do Código.
Simon Cox. Decifrando o Código Da Vinci. Rio:Bertrand, 2005. 176 Páginas.
pALAVRAS-CHAVE: Catolicismo, Leonardo da Vinci, mistérios da humanidade
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FELICIDADE AUTÊNTICA

RESENHA
Ernani Xavier

PESSOAS MAIS FELIZES SÃO MAIS QUERIDAS


Martin E. P. Seligman escreveu “Felicidade Autêntica” como um relato de pesquisa para mostrar que existe uma psicologia positiva, aquela que tem o poder de reverter os ataques á auto-estima e manter a pessoa com otimismo e bom humor. Para o autor, felicidade autêntica é isto. O texto de Seligman atinge o propósito mudar a maneira tradicional como as pessoas vêem a psicologia. Na realidade aquilo que tem sido chamado de Psicologia Positiva se caracteriza como um revolucionário movimento. Ele ajuda a entender a emoção coletiva, desenvolver força e vigor pessoal, níveis sustentáveis de alegria, gratificação e significados autênticos em nossas vidas. Na primeira parte do livro, o autor trata de emoções positivas momentâneas e se dedica a responder as questões: “Por que a evolução nos dotou de sentimentos positivos? Quais são as funções e conseqüências dessas emoções, além de nos fazer sentir bem? Quem tem emoções positivas em abundância e quem não tem? O que permite e o que impede essas emoções? Como integrar mais emoção positiva e estável à vida?” No conjunto das respostas o autor mostra o quanto a psicologia clássica deixou um pouco de lado o aspecto positivo da personalidade, a felicidade dão ser humano. Ele argumenta que, para cada cem textos publicados que abordam a tristeza, apenas um trata da questão da felicidade. Portanto, o propósito do seu livro foi corrigir tal defasagem incentivando que aqueles estudos da psicologia que acumulam saberes sobre sofrimento e doença mental sejam complementados por novos conhecimentos sobre emoções positivas, virtudes e forças pessoais. O autor assegura que, quando o bem-estar é fruto da integração das nossas forças e virtudes, a vida fica imbuída de autenticidade. O autor se concentra na identificação das forças pessoais típicas de cada personalidade e de que forma conhecê-las pode significar o caminho para o maior sucesso na vida e a mais profunda satisfação emocional. O trabalho de Seligman possibilita uma reflexão pessoal e científica altamente perspicaz sobre a natureza da felicidade.É a psicologia levando a sério a alegria, o prazer e a felicidade, dimensões esquecidas nos estudos clássicos. O autor torna-se um porta-voz do novo movimento de Psicologia Positiva, que enfoca a saúde mental, e não a doença mental. Identifica características e estratégias de pessoas com um perfil positivo, e explica como cultivar e experimentar, a maior parte do tempo, felicidade autêntica e outros estados emocionais desejáveis. Ensina como aplicar as melhores e mais recentes descobertas científicas da psicologia às mais antigas e básicas indagações humanas sobre si mesmo, sobre a sua vida, sobre as atitudes com relação a aspectos vitais da relação do homem com o seu desafiante mundo contemporâneo. Usa as ricas e surpreendentes descobertas de um campo ainda novo, chamado psicologia positiva, para melhorar a saúde mental, moral e espiritual de seus leitores. O autor é professor de Psicologia na Universidade da Pensilvânia e diretor da Positive Psycholog Network. Entre seus mais de vinte livros, destacam-se: O que você pode e o que não pode mudar, também lançado pela Editora Objetiva; The Optimistic Child e Learned Optimism. Mais de 90% de pessoas consideradas felizes ultrapassam os 80 anos, enquanto menos de 34% de pessoas infelizes chegam a esta idade, já que, as pessoas felizes têm em comum, hábitos de vida mais saudáveis, pressão arterial mais baixa e sistema imunológico mais ativo que as infelizes. Isto pode resultar em longevidade, afirma o autor. Mais, as pessoas felizes são as mais queridas pelos outros e tendem a ser mais tolerantes e criativas.
Martin E. P. Seligman. Felicidade Autêntica. Rio: Editora Objetiva, 336 páginas
Palavras-chave: felicidade, equilíbrio emocional, personalidade
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domingo, 27 de janeiro de 2008

O NOME DA MORTE

RESENHA
Ernani Xavier


PROFISSÃO: ASSASSINO
O livro “O nome da morte” é uma biografia, ou mais precisamente, uma reportagem investigativa. É história acontecida. O escritor é Kléster Cavalcanti, o protagonista, Júlio Santana, um jovem cuja profissão é simplesmente matar outras pessoas. Ao todo foram quase 500, antes de ter completado 35 anos de idade. Tudo anotado num caderninho. Sem que “pareça um sujeito violento ou agressivo”, conforme diz o autor, além do que, estava super a fim de falar sobre isso. Da longa conversa saiu o livro. No início da sua carreira Júlio Santana tinha apenas 17 anos. Matou um cara que abusara sexualmente de uma garotinha de 13 anos, ao mando do pai da menina. Era só um caçador. Dons bons. Tinha ótima pontaria. Ajudava a sustentar a família bem no sul do Maranhão, no lugarejo de Porto Franco. Já tinha um parente que cobrava para matar, o tio Cícero que também era policial. Como o tio Cícero adoeceu na véspera de uma execução, o sobrinho Júlio Santana o substituiu. Fez o serviço. Matou um pescador. Aprendeu com isso o seguinte: “se você não fizer o serviço, quem vai acabar morrendo sou eu. (...) nesse negócio é assim. Depois que a gente recebe o dinheiro, tem de fazer o serviço. Senão, quem acaba assassinado é o próprio pistoleiro. Você quer que eu morra?”. Dito e feito. Santana já era considerado um bom profissional a partir de então. Logo uma tarefa importante foi ajudar uns militares do exército a matar uns comunistas, em 1972, na cassa a guerrilheiros na famosa Guerrilha do Araguaia. Santana, assim, se tornara, sem saber, personagem da História Contemporânea do Brasil. Tudo isso influenciado pelo tio Cícero, seu mecenas. Era nas redondezas de Xambioá, na época, Goiás. Em Xambioá Júlio Santana assessorou um grupo e puderam caçar um guerrilheiro graúdo, José Genuíno. Disiludiu-se com uma namorada de anos. Vai morar em definitivo numa cidade grande, Imperatriz, onde vive o tio Cícero. O livro não é inventado. Nas palavras do autor: “Não há nada de ficção. Todos os nomes do meu livro são reais. Carlos Marra, por exemplo, é o nome do delegado que comandou o grupo do Júlio Santana no Araguaia. Inclusive, todos os nomes de mandantes de crimes e de vítimas são reais. Não usei a minha imaginação para nada. O livro é uma grande reportagem investigativa. Passei sete anos trabalhando na história do matador Júlio Santana”. Durante os sete anos que o autor trabalhou na investigação, sempre foi por telefone. Só no finalzinho, em 2006 foi que conheceu Júlio Santana em pessoa. Foi até Porto Franco. Morou três dias com Júlio Santana, segundo ele, “um homem calmo, bem-humorado, caseiro, carinhoso com a mulher e com os filhos e muito religioso. Um homem aparentemente comum. Perfil bem diferente dos assassinos que povoam a literatura e o cinema”. O trabalho de Kléster Cavalcanti mostra que para matar o cara não precisa ter as feições de um conde drácula ou olhos esbugalhados. Ele pode morar na tua casa e até mesmo demonstrar alguma afeição por você. O instinto de morte não é necessariamente agressivo. Matar pode não ser um prazer, pois, no caso de Júlio Santana, é uma profissão. Pode ter lá princípios como aquele que o tio Cícero ensinava: “Se você não matar, o infeliz vai morrer na mão de outro e tu deixa de faturar um dinheiro”. Terá também algum código de ética: “Jamais identifique o mandante, além de não receber, pode pagar caro por isso...” É um livro gostoso de ler. Surpreendente. Altamente revelador da natureza humana. O seu lado mais frio. Impressionantemente realista.
Klester Cavalcanti. O Nome da Morte. Rio: Planeta Brasil, 2007.
Palavras-chave: impunidade, investigação jornalística, banalização da vida humana
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